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Pequeno, nerd e japonês

Eu nunca fui muito fã de japoneses. Digo, nada contra os japoneses em geral, mas nunca me senti atraída por um. Ou seja, japoneses não fazem meu tipo.

Mas um dia, lá pelos idos de dois mil e pouco, conheci um japa aluno de japonês (?!) de uma amiga minha (maior de idade, que fique claro). A princípio, não sabia que ele era aluno dessa minha amiga. Por alguma razão, ele foi parar no meu MSN e a gente ficou batendo papo por um tempo, até ele dizer que estudava japonês no lugar tal, com a professora tal e eu fiquei com aquela cara de WTF.

Eu não sei, mas, pelas conversas comecei a achar o japinha muito fofo. Peguei a "ficha" dele com ela, que me confirmou que ele era mesmo um garoto muito fofo. Conversa vai, conversa vem, decidi que queria aquele japa para mim.

Em uma ocasião iria rolar um festival de "sei-lá-o-que" japonês lá no curso em que ele tinha aulas. E aí rolou o convite para que eu fosse assistir sua apresentação de taiko na festa. "Taí uma boa oportunidade", pensei. E me preparei para causar uma boa impressão. Roupa mais ou menos, maquiagem, sorriso no rosto, essas coisas que meninas idiotas fazem quando querem chamar a atenção.

E lá fui eu para a festa. Quando conheci o japa pessoalmente, pude comprovar o que já imaginava: ele era um fofo! Simpático, gentleman, um mini nerd que dava vontade de colocar num potinho. Porém, eu não contava com uma coisa: a melhor amiga dele. Quer dizer, contar eu contava.

Pausa para explicar essa história.

Eu havia sido alertada que ele tinha uma melhor amiga por quem era apaixonado. E a garota, por sua vez, não lhe dava a menor bola, o desprezava, saía com outros meninos e contva para ele. Essas coisas que meninas más que sabem que tem o cara na palma da mão fazem.

E o coitado lá, todo apaixonado. E ela lá, zoando dele.

Só que ela não contava com uma coisa: a menina do MSN que estava afim do cara que ela pensava ter na mão. E por quem, no fundo, também tinha uma quedinha.

Voltando ao dia da festa.

Quando a menina me viu, me olhou "with lasers" (eu quase posso jurar que ela realmente soltava raios de luz pelos olhos). E eu olhei para ela com aquele olhar de "então é você que faz pouco do meu japa...". Trocamos olhares por uns instantes e fomos apresentadas.

Durante o resto da noite eu pude perceber que ela meio que se desesperou. Talvez o fato de não ter desgrudado do lado do japa tenha sido uma dica, mas o jeito que ela olhava para ele, o jeito que ela falava com ele era... bem parecido com o jeito que eu olhava para ele, o jeito que eu falava com ele. Conversamos pouco e combinamos de marcar alguma coisa pelo MSN.

Dias depois veio a confirmação: a menina se declarou para ele. E eles viveram um bonito romance por alguns anos. Soube que eles terminaram, mas não mantive mais contato com ele, pois ela o proibiu de falar comigo quando o namoro foi oficializado.

É Murpy, mais um ponto para você!

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